A Capela Santo Antônio
Há mais de duas décadas, a comunidade do Sol Nascente se reúne sob a proteção de Santo Antônio. O que começou na fé simples de moradores que sonhavam um lugar de oração no bairro cresceu de encontro em encontro, de Missa em Missa, até se tornar a casa de oração, catequese e caridade que é hoje.
A capela pertence à Paróquia Santa Clara de Assis e vive a espiritualidade franciscana ao lado dos frades, no espírito de simplicidade, fraternidade e alegria que São Francisco deixou à Igreja. A vida da comunidade pulsa nas Santas Missas de terça-feira às 19h e de domingo às 8h, no serviço silencioso das pastorais que limpam, acolhem, ensinam, cantam e cuidam, no café partilhado após a Missa dominical, e na grande festa do padroeiro a cada 13 de junho, preparada pelo Tríduo que reúne toda a comunidade.
Santo Antônio de Pádua, nosso padroeiro
Fernando Martins de Bulhões nasceu em Lisboa, por volta de 1195, em família nobre. Jovem, ingressou nos Cônegos Regrantes de Santo Agostinho, onde recebeu formação bíblica e teológica profunda nos mosteiros de São Vicente de Fora e de Santa Cruz de Coimbra.
Em 1220, as relíquias dos primeiros mártires franciscanos, mortos no Marrocos, chegaram a Coimbra. Tocado por aquele testemunho, Fernando deixou tudo e entrou na jovem Ordem dos Frades Menores, tomando o nome de Antônio e desejando também ele o martírio na missão. Partiu para o Marrocos, mas adoeceu gravemente; na viagem de regresso, uma tempestade levou seu navio à Sicília, e a Providência o conduziu à Itália, onde chegou a participar do Capítulo de 1221 em Assis, ainda no tempo de São Francisco.
Sua sabedoria permaneceu escondida na humildade até que, numa ordenação em Forlì, foi chamado a pregar de improviso, e a Igreja descobriu um dos maiores pregadores de sua história. São Francisco, em bilhete célebre, autorizou-o a ensinar teologia aos frades, fazendo dele o primeiro professor da Ordem:
Percorreu a Itália e o sul da França pregando a Palavra, combatendo as heresias com doutrina e mansidão, e defendendo os pobres contra a usura dos agiotas. Escreveu os Sermões, tesouro de teologia bíblica. Consumido pelo trabalho, morreu em Arcella, nos arredores de Pádua, em 13 de junho de 1231, com cerca de 36 anos, murmurando: "Vejo o meu Senhor". Foi canonizado pelo Papa Gregório IX em 30 de maio de 1232, menos de um ano após a morte, um dos processos mais rápidos da história da Igreja. Em 1946, o Papa Pio XII o proclamou Doutor da Igreja, com o título de Doutor Evangélico.
Curiosidades sobre o nosso santo
- A língua incorrupta. Em 1263, quando São Boaventura presidiu a trasladação de seus restos em Pádua, a língua do santo foi encontrada intacta: sinal, disse Boaventura, de quem tanto louvou a Deus e O fez amado pelos homens.
- Santo do mundo inteiro. Assim o chamou o Papa Leão XIII, pela devoção que ultrapassou todas as fronteiras: é venerado de Lisboa (onde nasceu e é chamado Santo Antônio de Lisboa) a Pádua (onde repousa), e em todo o Brasil.
- Padroeiro das coisas perdidas. A tradição conta que um noviço fugiu levando o saltério de Antônio; após a oração do santo, arrependeu-se e devolveu o livro. Daí o costume de pedir sua intercessão pelo que se perdeu.
- O Pão de Santo Antônio. Obra de caridade nascida da devoção: pão distribuído aos pobres em seu nome, tradição viva até hoje em santuários e paróquias do mundo inteiro.
- O casamenteiro do Brasil. A fama de intercessor pelos casamentos e namoros fez do 13 de junho e da Trezena uma das devoções mais queridas do povo brasileiro.
- O santo soldado. Curiosidade da história do Brasil: em tempos coloniais e imperiais, imagens de Santo Antônio chegaram a receber patentes militares e soldo do exército, tamanha a confiança do povo em sua proteção.
- O sermão aos peixes. As fontes antigas narram que, em Rimini, diante de corações endurecidos que se recusavam a ouvi-lo, Antônio pregou à beira-mar e os peixes vieram à tona escutá-lo, comovendo a cidade inteira.
Santo Antônio, rogai por nós e por esta comunidade que leva o vosso nome.